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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Depósito bancário derruba Havelange
LAUSANNE - O Estado de S.Paulo
O dia era 3 de março de 1997. Funcionários do setor de contabilidade da Fifa foram surpreendidos pelo depósito de US$ 1,5 milhão (R$ 2,6 milhões na cotação de ontem) na conta da entidade. O dinheiro vinha da ISL, empresa que vendia os direitos de TV da Copa do Mundo. Funcionários não entenderam a transação, pois não havia razão para tal, e chamaram o chefe da divisão de finanças. Após analisar a situação, o parecer: não sabia do que se tratava.
Naquele mesmo dia, uma reunião foi convocada com a presença do então secretário-geral da entidade, Joseph Blatter, hoje presidente. O cartola suíço ordenou que os funcionários da Fifa transferissem o dinheiro para a conta pessoal de seu chefe, o brasileiro João Havelange, sob o nome de Renford Investments. O caso, aparentemente, estava resolvido. Mas a informação sobre a propina já havia sido vazada.
Esse erro da ISL ao fazer o depósito abriu a brecha para o vazamento de informações sobre o esquema de pagamento de propinas que, neste fim de semana, derrubou Havelange de seus 48 anos de mandato no Comitê Olímpico Internacional (COI).
Desde o final dos anos 90 e diante do erro da ISL uma série de processos, acusações e chantagens foram estabelecidas na Fifa com base neste esquema de pagamento de propinas.
Dados da Justiça suíça apontam que o "propinoduto" criado no final dos anos 80 movimentou US$ 140 milhões (R$ 250 milhões) e que o sistema só deixou de funcionar em 2001, quando a ISL quebrou. Outros também se beneficiaram, entre eles o presidente da Conmebol, o paraguaio Nicolas Leoz, que teria recebido US$ 730 mil (R$ 1,3 milhão).
Preservação. O Estado apurou que a decisão de Havelange de renunciar ao COI foi tomada porque o Comitê de Ética da entidade concluiu que o esquema era suficiente para justificar sua expulsão. Havelange se recusou a passar por essa situação. /J.C.
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